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BOLETIM INFORMATIVO

ANO VIII     Nº 10  -  2. Série     Jul/Ago 2003

 

Editorial

OGRLÊKH

Cá estamos, regressados de férias e com um novo ano de trabalho pela frente.

Recomeçamos em cheio com a exposição fotográfica da Arquitecta Fabienne Louyot sob o título Cores da Índia: Um Olhar sobre a Obra de Charles Correa e a realização de diversas iniciativas paralelas durante o mês de Outubro, mais precisamente de 2 a 26. É uma iniciativa conjunta da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Sul com a Casa de Goa, no âmbito da celebração do Ano Nacional da Arquitectura. É para nós um enorme prazer acolher esta exposição, não só por ser sobre quem é, e por dar início a uma colaboração, que desejamos longa e proveitosa, com a Ordem dos Arquitectos, mas também porque é pela primeira vez que vamos utilizar o Museu da Casa de Goa para uma iniciativa aberta ao público.

Da Diáspora chegam-nos ecos de como Judy Luis-Watson conseguir por os americanos a cantar em konkani, com uma adaptação do dekhnni Hanv Saiba Poltoddi Vetam ao Han Saiba.Blues., enquanto que, em Goa, a Fundação Oriente organiza uma série de conferências sobre diversos temas de interesse.

Em Memórias da Nossa Terra, Francisco Sá continua a escrever sobre a circulação da moeda na ex-Índia Portuguesa e em Traços do Folclore Goês, Susana Sardo dedica uma sentida homenagem, à qual a Direcção se associa, à memória do Dr. Carmo Azevedo.

A página da Poesia é dedicada por Willie da Cunha à Maim-Bhas Konknni e na Página Jovem, Carina Henriques promete que há-de voltar a Goa logo que possível!

Na rubrica Entre Nós, poderão encontrar várias informações úteis, designadamente sobre urbanizações em Goa, sobre o livro Patrimónios Mundiais   com   selo   em   português   em   quatro continentes, editado pela empresa CTT Correios de Portugal, com um capítulo dedicado a Igrejas e Conventos de Velha Goa. Nesta rubrica, a nossa sócia Maria Sampaio faz, ainda, o relato da visita guiada ao Museu Nacional de Arte Antiga.

Em Setembro, a Casa de Goa, associa-se, com o maior gosto, à celebração do Goa World Day 2003, disponibilizando as suas instalações para a realização de algumas das actividades programadas pela equipa organizadora. Ainda neste mês, um outro olhar sobre Lisboa levar-nos-á ao núcleo histórico de Carnide e à conhecida Feira da Luz. E, em Outubro, vamos ter uma Conversa ao Balcão.

Já para Novembro fica o convite para a participação de todos na Sessão de homenagem ao Maestro António de Figueiredo, cujo 100º aniversário de nascimento se comemora este ano. Desejamos que todos os que conheceram o Maestro e conhecem a sua obra, dêem o seu testemunho, participando, ainda, no coro que irá interpretar algumas das suas obras. 

Passamos a divulgar, a partir de agora, em conjunto com o Boletim, a Newsletter da Goa Sudharop Community Development Inc. sediada nos EUA. È uma forma de reforçar os laços com a diáspora.

Na sequência da informação divulgada no último Boletim, e nos termos das últimas alterações estatutárias, está em curso a actualização dos ficheiros de sócios, mediante um contacto personalizado com todos os sócios com quotas em atraso. Apelamos à vossa colaboração, para que, de futuro, os ficheiros correspondam à realidade do universo associativo. 

A Direcção


TRAÇOS DO FOLCLORE GOÊS

GÕYCHEA LÔKVEDACHÊR NODOR

Ao Dr. Carmo Azevedo, porque as palavras não choram

Uma rubrica sobre folclore de Goa não poderia deixar de registar o recente desaparecimento de um dos intelectuais goeses que mais se preocupou com o folclore e a etnografia, o Dr. António do Carmo Azevedo (11/02/1913 – 11/08/2003). Verdadeiro bibliófilo, num contexto onde a cultura do livro está, infelizmente, bastante ausente, o Dr. Carmo Azevedo assinou, muito provavelmente, a maior colecção de artigos sobre os mais variados aspectos do folclore – desde a música, à dança, aos modos de vestir, de festejar, de comer, de comunicar – e construiu uma biblioteca invulgar, pontuada aqui e ali por algumas raridades, que doou à Universidade de Goa, aspecto que não só destaca como confirma a visão aberta e universalista que detinha sobre o conhecimento. “Os nossos livros – dizia – de nada servem fechados em casa”.

Não existem textos impessoais mas este, perdoar-me-ão, é um texto manifestamente pessoal, um texto duas vezes enlutado: pela perda de uma personalidade ímpar no contexto cultural de Goa, a quem nem Goa, nem a Índia nem Portugal reconheceram em vida a merecida importância, e também pela perda de um amigo. Porque de amigos me falou também o Dr Carmo Azevedo, tantas e tantas vezes. Dos seus amigos, das suas memórias, fiéis repositórios de lealdades, de admiração profunda, de algumas antipatias, nomes e nomes que para mim eram apenas referencias distantes, de repente ali tão perto: Miguel Torga, João José Cochofel, Fernando Namora, Almada Negreiros, Pessoa...

De poesia era feito o universo pessoal do Dr. Carmo Azevedo. Uma poesia herdada provavelmente dos tempos de Coimbra, dos passeios pelo Choupal, pelo Penedo da Saudade, tempos em que a academia era apenas o privilégio de alguns, dele também, e em que Goa distava de Lisboa dias e dias de mar. Tão português como os portugueses, mais indiano do que os indianos, num  permanente estado de conciliação com Goa, António do Carmo Azevedo guardou sempre, aqui e ali, alguma nostalgia não de um passado, que ele próprio não encontrava nem procurava, mas de uma outra ordem, de uma outra ética. De um tempo em que as pessoas continham em si, e no modo como se relacionavam, a própria estética e a poética da vida.

Ao Dr. Carmo Azevedo devo muito do que aprendi sobre Goa, sobre a Índia, sobre a condição humana num mundo tantas vezes difícil e adverso, sobre a necessidade de se acreditar e de lutar por um ideal mesmo que isso nos custe a liberdade. Aprendi também que o saber não nos pertence e que é, pela sua própria natureza, uma permanente fonte de dúvidas e de interrogações. E que não há, como pensei que ele fosse, homens de saber enciclopédico. “Não se escreve uma linha sem se visitar a fonte” – disse-me um dia – sem confirmar os seus dados na Biblioteca Central. Aí fomos colegas de carteira. Eu como aprendiz, ele como mestre. A música e a cultura goesas como interesse comum.

Porém, mais importante do que todos os atributos, publicamente reconhecidos, nos diferentes domínios da história, da literatura e da cultura goesa, deixem-me destacar aqui aquele que mais me liga à memória deste homem que sobreviveu a 90 anos de irreverência, aparentemente despojado de sentimentalismos e de lágrimas: a capacidade que tinha de guardar para os amigos os espaços mais nobres da sua vida. Tive o privilégio e a felicidade de lhe conhecer esse lado, de o ter junto de mim dias e dias seguidos, sentado à minha cabeceira, não como médico, que também era, mas como amigo, tantas vezes calado, aquecendo-me com o seu olhar paternal, tantas outras desfiando histórias e histórias do seu passado, histórias de Goa, de Coimbra, de Diu, histórias de tesouros, de mitos, de credos, histórias de amor, em português, claro, um português impoluto, sem sotaque, de uma invulgar erudição.

Saudades desse tempo, muitas. Saudades do Dr. Carmo Azevedo, todas. E uma necessidade enorme de registar aqui a minha homenagem sentida a um homem cuja importância ultrapassa em muito as fronteiras de Goa e da própria Índia. Porque as palavras não choram, bem haja Dr. Carmo Azevedo, por tudo o que nos ensinou, por tudo o que nos legou e por me ter dado o privilégio da sua amizade.

Bibliografia não exaustiva do autor sobre música goesa

AZEVEDO, António do Carmo,

S/d Um "Brinco" do Carnaval, Panjim, (Mss. Dact.).

S/d Canções Típicas de Goa e Damão, Mss. dact., autor, Panjim, s/d.

S/d "Western Influences in Goa", in Goa's Own.

1966 "O II Festival de Mando Marcou Assinalável Vantagem Sobre o I", in A Vida, Margão, 18 Set.

1966 "O Mando: Documento Psicológico, Etnográfico, Etológico, Sociológico e Histórico”, in A Vida, Margão, 23 e 24 de Set.

1966 "Um Filho Pródigo Regressa Hoje à Casa Materna" (sobre o Festival de Mandó em Margão), in A Vida, Panjim, 25 de Setembro

1966 "O II Festival de Mando - Uma Apreciação", in A Vida, Panjim 23, 25 e 29 de Nov

1968 "Mando and Dulpods", in Nahvind Times, Panaji, 10 Nov.

1968 "Dekni", in Nahvind Times, Panaji, 17 Nov.

1968 "Mando - Its Past, Present and Future", in Nahvind Times, Panaji, 15 Dez.

1968 "Mando Festivals - Are They In The Right Track ?", in Nahvind Times, Panaji, 29 Dez.

1972 "The Folksongs of Goa", in Nave Parva, Rev. Dir. Inf. & Turism, Panjim.

1974 "The Folk Songs of Goa", in Souvenir of the 7th Mando Festival, Panaji

1975 "Mando and Dekni, Two Folksongs and Dances of Goa", in Nahvind Times, Panaji, 16 Nov.

1975 "A Propos The Mando Festivals", in Nahvind Times, Panaji, 30 Nov,

1975 "Carnival in Goa", in 1rs Street Dance, Carnival 1975, Panjim.

1980 "Os Alfobres da Cultura Goesa", in Old is Goa, Panjim, Clube Nacional.

1982 "Santos Populares Portugueses em Goa", in Souvenir do Clube Nacional, Panjim.

"Carnival Festival", in Souvenir of Carnival - Sigmo, Panjim

Susana Sardo


MEMÓRIAS DA NOSSA TERRA

AMCHEA GANVCHEÔ IADI

CIRCULAÇÃO DA MOEDA NA EX-ÍNDIA PORTUGUESA

(Continuação)

Para além das moedas portuguesas circularam também Pagode de ouro (da India), Larins de prata (da Persia) e Reales ou Pataca (da Espanha)

Em 1606 o Vice-Rei D. Martim Afonso de Castro mandou recolher os Bazarucos de cobre cunhados em Baçaim, Damão e Goa, e substituí-las por Bazarucos de estanho.

Quando D. João IV (1640-1656) subiu ao trono após a independência de Portugal, o Vice-Rei João Tello de Meneses mandou substituir nas moedas Xerafim, 1/2 Xerafim, Tanga e 1/2 Tanga, a imagem de S. Filipe por S. João, que o Vice-Rei D. Filipe de Mascarenhas mandou alterar para Cruz de Cristo.

Entre 1640 e 1706 foram cunhadas:

 

São Tomé 

Ouro

 

São Tomé (5 Xerafins)

Ouro

 

2 Xerafins

Prata

 

1 Xerafim e ½ Xerafim

Prata

 

2, 1 ½ Tanga

Prata

 

4, 2 e 1 Bazaruco

Cobre

De 1706 a 1750 foram cunhadas:

São Tomé (10 Xarafins)

Ouro

São Tomé (2 ½ Xerafins)

Ouro

1 Xerafim

Ouro

1 Xerafim

Prata

Rupia

Prata

Pardau e ½ Pardau

Prata

Tanga e ½ Tanga

Prata

20, 15, 10, 7½ e 5 Reis

Cobre

15, 10, 7½,  5, 2, 1 Bazaruco

Estanho

8 (15 Bazarucos), 3 e 1 Roda*

Estanho

1, ½ , ¼  e 1/8 Atiá**

Cobre

 

(*por o cunho fazer alusão à roda de Santa Catarina, padroeira de Goa)

**(1/4 de Atiá era conhecida por Dugni)

Entre 1762 e 1861 foram cunhadas as seguintes moedas e em 1828 a Casa de Moeda de Goa foi transferida da Velha Cidade para Panjim:

 

12,  8, 4, 2 e 1 Xerafim

Ouro

 

½ Xerafim

Prata

 

1, ½ e ¼ Tanga

Cobre 

 

60, 30, 20, 12, 10,  6 e 2 RÉIS

Cobre

 

9,  4 ½, 3 e 1 ½  Reis

Cobre

 

XII, VI, IV e II  Réis

Estanho

No reinado de D. Luís I foram cunhadas nas oficinas de Goa, Bombaim e Calcuta:

1, ½, ¼, 1/ 8  Rupia

Prata

1 ½, ¼ e 1/8 Tanga

Cobre

10, 5 e 3 Réis

Cobre.

Em 1870 o Governador Januário Correia de Almeida, achando que a moeda de Goa já não correspondia a evolução daquele Estado, por Port. de 26-05-1871, extinguiu a Casa da Moeda de Goa e em Novembro do mesmo ano regulamentou a importação e exportação da moeda e o recurso a oficinas estrangeiras de tecnologia avançada.

Em 26-12-1878 houve um Tratado Luso-Britânico e em Abril de 1880 foi assinada uma Convenção entre os Governos da Índia Portuguesa e Índia Britânica sobre pesos, medidas e moedas donde resultou um sistema métrico e monetário renovado, com troca da moeda antiga pela nova a partir de Maio de 1881, e  introdução em 1-10-1883 de notas, fabricadas em Londres, do valor de 5, 10, 20, 50, 100 e 500 Rupias, da responsabilidade da Junta da Fazenda, ao abrigo da Portaria de 27-9-1883.

No reinado de D. Carlos I (1899-1908) foram cunhadas, em Lisboa:

1000, 500 e 200 Réis 

Prata

1 Rupia                                    

Prata

½, ¼, 1/8 e 1/12 Tanga

Cobre.

Em 1896 o Vice-Rei D. Afonso Henriques mandou cunhar a Moeda Comemorativa do 4º Centenário da Descoberta da Índia. Nesse mesmo ano, o Governador João António das Neves Ferreira ordenou a recolha das notas atrás referidas e por Dec. Provincial autorizou a emissão de notas do valor de 5, 10, 20 e 50 Rupias, fabricadas pela Imprensa Nacional de Nova Goa, que entraram em circulação em Janeiro de 1897 e foram retiradas em 1900. Entretanto entraram em circulação em Novembro de 1899 novas notas da Imprensa Nacional de Nova Goa do valor de 5, 10, 20 e 50 Rupias, que foram retiradas em Março de 1907.

Após a implantação da República foram cunhadas as seguintes moedas:

I República: 1 Rupia de prata.

  II República: 1 e ½ Rupia de prata, 1, ½ e ¼ Rupia de cupro-níquel, 4, 2 e 1 Tanga de cupro-níquel e 1 Tanga de bronze.

Em 1958 entrou em vigor o novo sistema monetário em Escudos e foram cunhadas em Lisboa, em 1958 e 1959 moedas de: 6, 3 e 1 Escudo de alpaca, 60 Centavos de Alpaca e 30 e 10 Centavos de bronze.

Em 1961 foram cunhadas apenas moedas de 10 Centavos de bronze, e foi a última emissão em moeda metálica.

 
 
(continua)
Francisco de Sá

Rectificação

No último parágrafo da primeira coluna do artigo publicado no número anterior em vez de “reconquistou-se a 25 de Dezembro...” deve ler-se “reconquistou-se a 25 de Novembro...”


DA DIÁSPORA…

PORDESANTLEÔ KHOBRÔ...

AMERICANS SING IN KONKANI

For the first time, on June 8, 2003 in Maryland, USA, BluesWorks and friends presented "Songs of Change and Promise," a new cross-cultural concert that I produced in part with a small artist's grant from Prince George's Arts Council.

Held at a relatively new library, the room filled up to capacity with mostly adults and a few well-behaved children who seemed content to listen to the entire 90-minute concert. This was the most culturally diverse audience we've probably ever had and it was good to see about a dozen Goans including an elderly lady and a Tanzanian-Goan visiting from London.

In addition to blues and jazz, we featured Malaika in Kiswahili, Gracias a la Vida in Spanish, the Cuban instrumental Cumbanchero and Hanv Saiba.Blues. I composed this bluesy version of the original folk song Hanv Saiba Poltodi Vetam for the London-based Goan Musical Society. Hanv Saiba.Blues has been performed twice in London, but this was the first time we performed it.

My brief introduction included a little historical information about Goa, the cultural context of Konkani, and the original song's story. For this tune, we had six musicians: Paul Watson (mandolin), Mark Puryear (acoustic guitar), Andra Faye Hinkle (violin), Jaamin' Tempo  tambourine), me (keyboard), and Gil Vaz (bongos) - yes, the same great drummer who performed with the Jazz Swingers in Dar during the 1950s and 60s.

I sang the first verse to give the audience an idea of the traditional song and the language. This was the first time I'd performed a song in Konkani and it felt good to claim this piece of my heritage. Paul and I did a call and response with ghe ghe ghe saiba maka naka go. The Goans in the room were tickled and it was nice to see them look so happy. After this introduction, we paused while Gil kept the beat going  on  the  bongos  and then we went into the bluesy instrumental. The whole piece sounded wonderful. When we ended it, I asked the crowd to sing the call and response, the women singing ghe ghe ghe saiba and the men singing maka naka go. It was quite a scene and the audience had fun singing in a language that was new to them.

A crowd of Americans and friends singing in Konkani in the U.S. How about that for celebrating World Goa Day? Speaking of which, I did dedicate Hanv Saiba.Blues to the celebration of World Goa Day as London-based organizer Rene Barreto suggested.

 

Thanks to the Toronto crew: my ever-ready dad and mom (Jerry and Eva Luis) who faxed the words to me and translated them with help from Cajetan Gonsalves and his friend Bernadine Fernandes, and to my cousins Henry and Edwin Saldanha who I can always count on – they helped me to better understand the original song.

I am so happy I had an opportunity to produce this concert, to make music with BluesWorks and friends, to bring joy to our audience and educate them a little, and honor the many cultures and some of the artists who've inspired me over the years.

Pete Seeger, the much loved American folk singer, songwriter, political activist, and a believer of building understanding and community through music, would be happy.

 

Peace, 

Judy Luís-Watson

 


DE GOA

GÕYCHEÔ KHOBRÔ...

 
Conferências da delegação da Fundação Oriente em Goa

A delegação da Fundação Oriente na Índia (oriente@sancharnet.in) tem estado a realizar uma série de conferências no período de Agosto a Novembro de 2003. O horário é das 18.00 às 19.30 horas.

 

14 Aug 2003

Introduction and a historical overview of Indo-Portuguese literature

Dr Carmo D'Souza, Prof Manohar Rai Sardessai e Dra Pratima Kamat

 

21 Aug 2003

Goa in Portuguese Literature

Profª Maria do Céu Barreto

 

27 Aug 2003

Adeodato Barreto: The Goan poetic flavour in Indo-Portuguese poetry

Profª Isabel Santa Rita Vaz

 

3 Sept 2003

 Francisco Luis Gomes: In the land of Brahama

Dra Maria Aurora Couto

 

9 Sept 2003

Goa in sixteenth century Portuguese chronicles
Dra Ana Paula Menino Avelar / Universidade Aberta, Lisboa

 

17 Sept 2003

Nascimento Mendonça: Through the Mythical Ayodya

Dr Bailon de Sa

 

1 Oct 2003

Fanchu Loyola: Fearless Writings

Dr Carmo D'Souza

 

8 Oct 2003

Laximanrao Sardessai: Poetry clad in Portuguese

Prof Manohar Rai Sardessai

 

15 Oct 2003

Menezes Braganca: Head and shoulders above others (Maior de todos)

Dr Manohar S Usgãocar

 

22 Oct 2003

Floriano Pinto: The Breeze from the Mandovi, Gyp: Jacob and Dulce; The Konkani flavour on Goa's spoken Portuguese

Prof Dr Olivinho J F Gomes

 

29 Oct 2003

Alvaro da Costa: Journalism, a family commitment

Dr. Alexandre Moniz Barbosa

 

5 Nov 2003

Prof Manohar Rai Sardesai, on the Portuguese face of his Konkani poems

 

19 Nov 2003

Concluding panel discussion

 


PÁGINA JOVEM

TORNNATTEANCHEM PAN

 

GOA... ATÉ AO MEU REGRESSO 

A primeira vez que estive em Goa tinha 4 anos e, portanto, vagas são as memórias. No entanto, sempre tive este sonho de ir conhecer melhor o local de origem dos meus antepassados. E eis que chega a ocasião em Dezembro de 2002 e por um período de um mês e meio.

Existem pessoas que são mais orientadas para a famíllia e eu considero-me uma dessas. E, por isso, o motivo principal da minha viagem foi ir ao encontro dos inúmeros familiares que já conhecia tão bem de nome por ouvir falar deles em casa, mas que nunca tinha tido o prazer de conhecer pessoalmente.

Os meus avós maternos e paternos emigraram para Moçambique onde cresceram os meus pais. Infelizmente, nunca pude satisfazer a minha curiosidade sobre Goa porque os meus avós faleceram quando eu ainda era adolescente. Assim sendo esta foi uma excelente oportunidade de procurar respostas a muitas das minhas perguntas!

Uma das mais importantes era sobre a minha linhagem. À medida que conhecia cada familiar, levava o meu caderninho de apontamentos e, pouco a pouco, ia percebendo quem era quem e já conseguia ir acompanhando o raciocínio de ‘cujo filho é...’. Agora que me considero informada, posso partilhar todas as coisas que aprendi com o meu irmão, os meus primos e mostrar as fotografias e associar nomes a caras que torna as coisas mais fáceis e mais apelativas!

Eu tinha a esperança de aprender qualquer coisa de Concani enquanto lá estive, mas tal não aconteceu! As pessoas das gerações mais velhas falavam comigo num português perfeito e os mais novos em inglês! Penso que, mesmo que a língua portuguesa tenha tendência a desaparecer, a herança da cultura portuguesa irá continuar muito presente.

Temos o exemplo da arquitectura de Velha Goa, a “Roma Oriental” com todos os monumentos como a Basílica do Bom Jesus, a Igreja e Convento de São Francisco de Xavier entre outros.

É bastante evidente em todos os lugares a mistura das culturas portuguesa e indiana. Seja pelo facto de se poder ver cruzes na beira das estradas colocadas por goeses cristãos ou pequenos altares hindus espalhados um pouco por toda a parte.

Ninguém pode ficar indiferente às lindas paisagens de Goa que a tornam num importante pólo turístico. Que o digam os muitos estrangeiros que vêm de longe para apreciar tal beleza ou mesmo os indianos provenientes de outros estados.

A extensão da costa goesa é grande e praias como Vagator, Colva, Baga e Calangute são maravilhosas. A areia fina e as palmeiras conferem-lhe um toque especial e o pôr-do-sol é lindíssimo!

Mas para além de tudo isto, quem pode ficar indiferente à gastronomia? Em casa de familiares fui bem ‘mimada’ com pratos muito saborosos confeccionados com leite de côco natural que, sem dúvida, dá um melhor sabor! As apas, o biryani, o chacuti e todos os tipos de caril. Sem falar das sobremesas, claro... e é de salientar que estávamos na época natalícia!

As festas em Goa são um fenómeno social interessante. Para além do Natal e do Ano Novo, pude assistir a um casamento e a uma festa de noivado. São cerimónias bem alegres e inesquecíveis! As festas religiosas de São Francisco e de Santo Estêvão também são bastante interessantes onde se pode confirmar o fervor e a devoção dos goeses cristãos.

Há na rua uma imensidão de cores que trazem alegria a quem passa e não está habituado a este frenesim de cores! Os vestidos das senhoras, as barraquinhas que vendem pulseiras, os mercados apinhados de gente e dos mais variados tipos de produtos.

De um modo geral, encontrei sempre pessoas acolhedoras e muito amáveis. Mesmo não me conhecendo antes, foram muito prestáveis e fizeram com que me sentisse em casa. Dão-nos o melhor que têm.

As casas que tive oportunidade de frequentar são muito bonitas, de estilo apalaçado e com mobiliário antigo. Para mim, todas estas coisas eram uma novidade!

Goa tem uma baixa densidade populacional e um alto nível de educação. É um dos estados com menor taxa de analfabetismo e em que se verifica uma maior igualdade entre homem e mulher... resumindo... todos factores que a tornam apetecível!

E, no final, que dificuldade para regressar! Ficou um saudosismo...que todos tão bem conhecem! E a promessa a mim mesma que logo que puder...hei-de voltar!

Ana Carina Lobo Henriques

 


POESIA DA NOSSA TERRA

AMCHEA GANVCHI KOVITA

O autor do poema que segue é sócio da Casa de Goa e frequentou o nosso Curso Prático da Língua Concani concluido em 18.06.2003 (Hê kovitecho boroupi “Casa de Goa” hacho vangddi ani tannem amchea 18.06.2003 tarkêr somplelea Konknni Bhaxechea Chaltea Kursant vantto ghetla)

Maim-Bhas Konknni

 

Willie da Cunha

 

Portugalak ailear maka zalet mhoine sabar,

Khoxi zalom aikun asat mhunn hanga ghanv-bhav Goenkar.

Aunddetalom ulounk konknni sobemazar

Punn kotta, he aundde moje sokla poddle khoddpar.

 

Casa de Goa vortouta êk “Centro” Goenkarancho,

Thoinsôr disti poddta khorench ekvôtt bhavbhoinnancho.

Vavurtat vôir dovorunk nanv amchea maim-desacho,

Punn ulouncho aikunk ieta fokot avaz purtugêz bhaxecho.

 

Amchê maim-bhaxêk aiz pasun konnem jivi dovorlea bhavamnim

Hoi, team padrinim, toxich potramnim, têch porim tiatristamnim.

Tika mannkam-motiamnim gunthun dovorlea gorib Goenkaramnim,

Zaite xiknnar toxech girêst somzotat ki kochro mhunn Konknni.

 

Nodor ami marlear amcheam Hindu bhurgeanchêr

Kitli khuxalkai dista aikon Konknni khell’leli tancheam ontthanchêr;

Dusrê bhaxechem varem matui lago-na tancheam chintnanchêr,

Dekhun aiz Goeam asat te vhoddleam vhoddleam suatinchêr.

 

Vavrum-ia bhavamnô  ulounk amchi maim-bhas

Karann ami vortoutanv mhunnon ami Goenkar khas.

Jorge de Abreu Noronha fuddem sorla diunk vêll tacho

Sarkeam aitteamnim xikounk amkam Konknni bhas.

Fokot adar zai tumcho, Goenkar bhavancho,

Dakoiat Konknni bhaxêk tumcho moipas.

 

Konknni gitam, mandde, loknach ghoddun haddunk

Fuddem sorlet thodde bhav ani bhoinnim.

“Ekvât” hem tanchem nanv aiz famad Goenkaram modem

Portugalak, Inglaterrak, Kanadak ani ieram desamnim.

Aikon tanchim gitam sontôs bhogta Goenkar kallzamnim,

Viva Casa-de-Goachea “Ekvât” Grupacheam vangddeank,

Je aiz khup vavurtat vakhannunk ani samballunk

Amchi apurbaiechi maim-bhas Konknni

 

Língua-Mãe Concani

 

Willie da Cunha

 

Vim p’ra Portugal faz já vários meses,

Alegrou-me saber da presença de irmãos goeses.

Ansiava eu o concani em público falar

Mas ai, por terra caiu esse meu anelar.

 

Casa de Goa é dos goeses um centro,

Sente-se uma vera união fraterna lá dentro.

Trabalha-se para o nome da terra ao alto guindar,

Mas infelizmente apenas o português se ouve falar.

 

Quem até hoje a nossa língua manteve viva e ardente

Foram os padres, os jornais e do teatro a gente.

Em rubis e pérolas os goeses pobres a engastaram

Mas os literatos e os ricos a enjeitaram.

 

Se para os meninos hindus volvermos o nosso olhar,

Que alegres ficamos vendo o concani nos seus lábios a bailar;

Não há vento doutra língua a soprar no seu pensar,

Por isso hoje vemos hindus em Goa altos cargos ocupar.

 

 

 

Esforcemo-nos, irmãos, por a língua-mãe falarmos

E goeses de pura gema nos mostrarmos.

Jorge de Abreu Noronha o seu tempo está a doar

Para o concani em moldes correctos nos ensinar.

O que agora se deseja de cada goês irmão

É que mostre p’lo nosso idioma a sua afeição.

 

Canções, mandés e danças do nosso folclore

Alguns dos nossos irmãos em forma andam a pôr.

Hoje o seu nome “Ekvât” entre goeses merece loa

Em Portugal, Inglaterra, Canadá e outras nações

Onde ouvir suas cantigas alegra os corações.

Um “viva” ao grupo “Ekvât” da Casa de Goa

Que tanto labora p’la glória e conservação

Da língua concani da nossa estimação.Je aiz khup vavurtat vakhannunk ani samballunk

Amchi apurbaiechi maim-bhas Konknni.

Traduções livres, rimadas, de Jorge de Abreu Noronha


ENTRE NÓS

AMCHÊ MODEM

URBANIZAÇÕES EM GOA

I am planning to develop a 12000 sq. meter property at Assagão (alta) into exclusive plots of aprox. 600 sq. meters each, (total 15 nos.) on a basis of a "village theme" on staggered placement basis, where owners will have the choice of their own floor plans & designs of the individual bungalows in the assigned plots. The property will have a trespass proof high external perimeter laterite fencing wall. Each plot will be segregated by a 3 meter side road and a 6 meter front ring-road with street lights and grated gutters. The project will have total infrastructure i.e. individual water/power connections, ample general parking space, individual septic tanks/soak pits, fresh water sump tank, landscaping and greening with new planned plantation, own well, a club house with a tennis court, 24 hour security, in-house plumber/handyman services, efficient garbage clearance/treatment and property upkeep facility. Rainwater harvesting will also be incorporated within the village complex with a possibility of a mini swimming pool. The eco-friendly Goan ambience, minimum maintenance-quality construction of the individual units will be undertaken by our company with our own architect for custom designing of bungalows. The owners will have varied maintenance plans available to choose from for the upkeep of their individual properties.

At anytime given time, the village complex will be impeccably maintained.

Kindly direct queries privately to floriano at

 

hobcraft@sancharnet.in

 

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Patrimónios Mundiais com selo Português

em quatro continentes

 

 

por JORGE M. MARTINS

 

A empresa "CTT Correios de Portugal" editou agora este magnífico livro da autoria de Jorge M. Martins. Os dois últimos capítulos são dedicados à Ásia: (a) Cidade Velha e Fortes de Gale, Sri Lanka e (b) Igrejas e Conventos de Velha Goa, Índia. A palavra "selo" tem aqui duplo sentido: por um lado, a estampilha postal e, por outro, a marca ou chancela portuguesa. Transcrevemos, em anexo, o último capítulo, indicando também as ilustrações que acompanham o texto.

 

Páginas 164 a 169

GOA ANTIGA CAPITAL DAS ÍNDIAS PORTUGUESAS,

ROMA DO ORIENTE

Finalmente, Goa ocupa um destacado lugar no imaginário popular pois os 451 anos de presença portuguesa no território (de 1510 a 1961) deixaram um importante legado cultural, cujas principais marcas são a língua portuguesa e o património arquitectónico.

Descrevendo o património mundial de Velha Goa, situado na parte nascente da ilha de Goa, o justificativo da UNESCO informa: “Antiga capital das Índias portuguesas, Goa conservou um conjunto de igrejas e conventos que ilustram a actividade dos missionários na Ásia, em particular a Igreja do Bom Jesus, onde se encontra o túmulo de São Francisco Xavier, evangelizador da Índia e do Japão. Estes monumentos exerceram influência em todos os países de missão da Ásia (Padroado Português do Oriente), difundindo os modelos da arte manuelina, do maneirismo e do barroco”.

Mas no coração deste paraíso multicultural que é Goa e em especial no imponente espaço arqueológico de Velha Goa, encontram-se, além da famosa Basílica do Bom Jesus, vários monumentos que já em 1932 haviam sido classificados pelas autoridades portuguesas. Entre eles, a Igreja de São Francisco de Assis, com o seu belo portal manuelino e a exuberante decoração de talha dourada e pinturas murais; a Sé Catedral, em estilo maneirista, uma das maiores igrejas de toda a Ásia; o Convento de Santa Mónica, com azulejos seiscentistas, onde está instalado o Museu de Arte Sacra; as ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Graça, do Convento da Cruz dos Milagres e do célebre Colégio de São Paulo (que foi a primeira universidade da Ásia); as capelas quinhentistas de Santa Catarina, de Nossa Senhora do Rosário e de Nossa Senhora do Monte, esta recentemente restaurada pela Fundação Oriente.

Com uma população que no século XVI igualava Londres ou Lisboa, a cidade de Goa foi uma das grandes metrópoles mundiais e era considerada Roma do Oriente.

Para além das vicissitudes políticas e religiosas, continua a ser um dos locais míticos dessa herança cultural comum, criada por indianos e portugueses, a que vulgarmente se chama a cultura indo-portuguesa. Como escreve Adelino Rodrigues da Costa, da Fundação Oriente, em Goa “não encontramos apenas um passado histórico e um património arquitectónico escepcionais, mas também uma sociedade afirmativa, esclarecida e orgulhosa da sua goanidade, que cada vez mais retoma e cultiva a sua herança cultural portuguesa”.

Ilustrações a cores que acompanham o texto:

·         Igreja de São Caetano (na realidade, da Divina Providência), com os dizeres: Goa conservou um conjunto de igrejas e conventos, como o de São Caetano, que ilustram a actividade dos missionários na Ásia

·         Estátua de um santo (que parece ser de São Pedro) com um livro aberto na mão direita e uma chave na mão esquerda

·         Selos das emissões portuguesas Arco dos Vice-Reis, Estado da Índia (9 RS), 1946, 4º Centenário da Morte de S. Francisco Xavier, Portugal (3,50 Escudos), 1952 e 450º Aniversário da Fundação do Estado da Índia ostentando mapa da velha cidade de Goa (1 Rupia), 1955

·         Basílica do Bom Jesus, onde se encontra o túmulo de S. Francisco Xavier, evangelizador da Índia e do Japão

·         Selo da emissão portuguesa 4º Centenário da Morte de S. Francisco Xavier – O Túmulo de S. Francisco Xavier, Índia Portuguesa (5 tgs.), 1952 e selo da emissão indiana St. Francis Xavier, 1506-1552 (25 P), 1976

·         Igreja de Sto. Aleixo, Curtorim, com o cruzeiro e o lago à fente, e busto de uma rapariga hindu vestida de sari laranja estampado e “choli” também laranja. Tem ao lado os dizeres: “Com uma população que no éculo XVI igualava Londres, a Cidade de Goa foi uma das grandes metrópoles mundiais e era considerada a Roma do Oriente”.

·         Selos da emissão portuguesa (3º grupo) 500 Anos da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia – O Piloto Ibn Madjid e Vasco da Gama (50$), Tempestade no Índico (80$), A Chegada a Calcut (100$), Encontro de Vasco da Gama com o Samorim de Calcut (140$), 1967

N O T A:

No fundo da página 171 [página onde vêm explicados os “Critérios para a classificação dos bens Culturais (C)” e os “Critérios para a classificação dos bens Naturais (N)” e é dada a Bibliografia consultada] aparece, curiosamente uma cruz que apresenta bastantes semelhanças com a cruz que, na relíquia arqueológica encontrada em Agaçaim, está no topo superior da “Cruz de São Tomé”, mas sem a suástica no seu centro (Jorge de Abreu Noronha).

 

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Associativismo e Imigração: A Associação Casa de Goa em Lisboa

A Chiara Xodo terminou o seu estágio na Casa de Goa com uma pequena monografia, em que analisa o universo dos sócios fundadores e efectivos, estabelecendo uma comparação entre esse universo hoje e em 1994, dedica um capítulo às actividades, objectivos e finalidades da Associação e outro às relações com o país de origem. 

Esta monografia está disponível para consulta no Centro de Documentação.

Deixou um agradecimento a todos os sócios que lhe deram a sua colaboração, respondendo a perguntas e transmitindo informação valiosa para o seu estudo. 

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www.goadesc.org

Recebemos informação do Goa Desc Resource Centre sobre o seu novo website, contendo a única base de dados electrónica que acumulou, ao longo dos anos, para cima de 12.000 artigos. Está em curso o processo de aperfeiçoamento do motor de busca, para tornar o acesso e a consulta mais simples.

Também estão disponíveis no www.goadesc.org as sinopses de 70 sessões do Friday Balcão, permitindo ao leitor atento aperceber-se da forma como os Goeses em Goa enfrentam diversas questões.

O site contém, ainda, documentação detalhada sobre o dharna da água organizado por GOACAN e outras informações.

O conteúdo do site está em construção e os seus gestores agradecem propostas e sugestões de melhoria. 

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Goa Sudharop Community Development Inc.

Na linha do reforço do relacionamento com associações da diáspora congéneres à Casa de Goa, divulgamos, junto com este Boletim, a Newsletter da GSCD, de quem já falamos nos Boletins da Casa de Goa de Jan/Fev e de Set/Out 2002, a propósito do International Goan Health Project e de outros projectos em curso. A GSCD vem desenvolvendo um conjunto de iniciativas em Goa, na área da educação, da saúde, das tecnologias de informação, do artesanato e do reforço da intervenção da sociedade civil na defesa dos direitos dos cidadãos.

 Para mais informações, deverão fazer o favor de consultar o site www.goasudharop.org

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Visita Guiada ao Museu Nacional de Arte Antiga

Em mais um passeio organizado pela Casa de Goa de encontro com a cultura, no dia 21|06|03, sentiu-se uma alegria a pairar no ar: o reencontro de conhecidos de outros passeios, de amigos, de familiares.

Foi uma surpresa para a Dra. Alexandra Markl, que nos iria guiar a visita ao Museu, o grande número de pessoas que compareceram, tendo de conduzir a visita e limitá-la ao tema A rota das viagens. Ainda no átrio a Dra. Alexandra falou-nos do edifício do Museu Nacional de Arte Antiga, palácio do séc. XVII, dos condes de Alvor, mandado construir pelo 1º conde de Alvor, D. Francisco de Távora, e que foi adquirido pelo Estado em 1884 para organizar o “Museu Nacional de Bellas Artes e Archeologia”. Em 1910 passa a ter o nome actual.

Subindo as longas escadarias deparou-se-nos de cada lado, já no 1º andar, duas grandes pinturas, a Vista de Lisboa (séc. XVII) e a Vista de Goa (séc. XVII). Foi grande o entusiasmo de todos a quererem encontrar locais e pontos de referência quer de Lisboa, quer de Goa.

A secção dedicada ao Japão é representada pelos biombos da arte Namban (séc. XVI), que afiguram o desembarque dos mercadores portugueses. As outras secções são compreendidas por porcelanas chinesas e portuguesas; preciosidades de origem africana e indiana, designadamente copos e caixas em marfim ou em tartaruga; cálices em prata, ouro e casca de coco com cercaduras em prata; móveis indo-portugueses em madeiras exóticas com embutidos em marfim, dos quais sobressai o Contador Mogol (armário com várias gavetas, decoradas com figuras humanas, animais, pássaros, e cuja linha de base alude a uma cena de caça com figuras de portugueses a cavalo).

Entre as belas peças de ourivesaria, apreciámos o esplendor da Custódia de Belém (1506), atribuída a Gil Vicente, ourives do reino e dramaturgo, mandada lavrar por D. Manuel I com o ouro de Quiloa, para ser oferecida ao Mosteiro de Sta. Maria de Belém. A custódia é constituída por uma base oblonga de seis partes decoradas em alto relevo e contornadas por um friso. A haste decorada com as esferas armilares (divisa do monarca), e com luxuriante folhagem, suporta no centro da peça o hostiário cilíndrico em vidro, tendo os 12 apóstolos em seu redor e dois esguios pilares laterais com pequenas figuras de anjos músicos. Entre os apóstolos opõem-se as figuras da Virgem Maria com manto esverdeado e do Anjo da Anunciação com asas vermelhas. Sobre o hostiário assenta uma alta cúpula do Gótico final, unindo-se aos dois pilares por arcobotantes. Devido à transparência do hostiário em vidro tem-se a impressão de que a cúpula se ergue no ar apoiada apenas pelos finos arcobotantes. A cúpula abriga no primeiro andar a pomba branca do Espírito Santo e no segundo a figura de Deus-Pai. O amarelo vivo do ouro faz sobressair o brilho dos esmaltes coloridos que parecem pedras preciosas.

Por sua vez, entre as várias peças de pintura, a Dra. Alexandra Markl realçou o conjunto dos seis Painéis de S. Vicente (séc. XV), atribuídos a Nuno Gonçalves, pintor régio de D. Afonso V. Estes painéis são pinturas a óleo sobre madeira de carvalho, que envolvem um mistério, uma aura, uma polémica, não apenas relativa à atribuição da autoria, mas também à narração pictórica, onde o povo português, uma parede de rostos graves, cujos nomes nos são desconhecidos, presta homenagem ao padroeiro S. Vicente: esta obra única, de retrato colectivo, não teve continuidade, nem em Portugal, nem na Flandres, Holanda e Itália. Aparece totalmente isolado, sem seguidores.

A visita terminou ao fim da manhã com um apetecido almoço no jardim do palácio, acompanhado de uma bonita vista sobre o rio Tejo, e que deixou o desejo de voltar numa outra oportunidade.  

Maria Sampaio

 

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 Pagamento de quotas

Na sequência da informação divulgada no último Boletim, está em curso a revisão do ficheiro de sócios para constituição de uma base de dados actualizada.

Conforme alteração estatutária deliberada na Assembleia Geral de 25 de Janeiro do corrente ano (§ único do artigo 14º dos Estatutos), os sócios com quotas em atraso poderão manter o mesmo número e qualidade de sócio desde que efectuem o pagamento das quotas correspondentes a dois anos, mais a jóia, no valor de 97 € (36 € /ano e 25 € de Jóia). A este montante acresce o valor de 36 €, referente à quota de 2003, pelo que o montante em dívida, nesta modalidade, é de 133 €.

As formas de pagamento são:

q       Em dinheiro ou cheque. Directamente na Secretaria ou pelo Correio. Os cheques devem ser passados em nome de Casa de Goa.

q       Vale de Correio. 

q       Transferência Bancária para a conta da Casa de Goa NIB: 0033 000045218642194 05 (peça no seu banco, para inserir comentário: o seu nome e nº de sócio)

A todos os sócios com quotas em atraso foi escrita um carta com indicação do montante em dívida e da decisão da Assembleia Geral acima referida. No sentido de facilitar o pagamento por cheque, foi, ainda, enviado um envelope com porte pago, solicitando resposta até o dia 30 de Setembro. Nos termos do artigo 6º, nº1. c) do Regulamento Interno aprovado na mesma Assembleia Geral, a Direcção terá de considerar perdida a qualidade de Sócio das pessoas que até essa data não tiverem manifestado vontade de aproveitar esta oportunidade

 


 

VAI ACONTECER NA CASA DE GOA

AMCHEÔ FUDDLEÔ GHODDNIÔ...

27 de Setembro / 9.00 horas

Um outro olhar sobre Lisboa

Núcleo Histórico de Carnide e Feira da Luz

Com a colaboração da Junta de Freguesia de Carnide, um outro olhar sobre Lisboa debruça-se sobre a freguesia de Carnide, neste mês de Setembro em que a mesma está em festa, em louvor à sua padroeira.

Iremos deambular pelas ruas estreitas à volta do coreto, pelas azinhagas de bons ares, por onde passearam reis e princesas e pela feira da Luz - uma das feiras mais conhecidas de Lisboa - culminando com uma visita à histórica Igreja e à fonte milagrosa da Senhora da Luz.

O almoço (arroz de cherne e carne de porco à portuguesa) está “apalavrado” para o Paço de Carnide.

O ponto de encontro é à frente da Junta de Freguesia de Carnide (Largo das Pimenteiras, ao pé da Igreja) às 9.00 horas. Tratando-se do fim de semana da Festa da Senhora da Luz, há muitas actividades em paralelo e, por isso, temos de iniciar o passeio mais cedo do que tem sido habitual nos anteriores. Há lugar para arrumar os carros nas redondezas.

As inscrições (15€ por pessoa), deverão ser feitas na Casa de Goa, até o dia 23 de Setembro. 

 

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2 de Outubro / 18.00 horas

Cores da Índia – Um olhar sobre a obra de Charles Correa

Exposição de fotografia de Fabienne Louyot

A Casa de Goa e a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Sul vão promover, no Museu da Casa de Goa, uma exposição de fotografia da Arquitecta Fabienne Louyot sobre a obra de Charles Correa, o arquitecto goês bem conhecido pelo seu extraordinário percurso profissional.

A exposição, que estará patente ao público, até 26 de Outubro, de terça a domingo, das 12.00 às 20.00 horas, será inaugurada no dia 2 de Outubro, às 18.00 horas, com a presença de representantes das entidades promotoras e dos patrocinadores institucionais (Embaixada da Índia, Fundação Aga Khan e Fundação Oriente) e uma mostra de folclore do Rajasthan, pelo Children’s Folklore Group do Rupayan Sansthan, Instituto de Folclore do Estado de Rajasthan. É um grupo composto por 10 elementos, entre os 15 e os 26 anos, das comunidades étnicas Langa e Manganiar, que vivem no deserto de Thar e executam música tradicional semi-clássica. Entre os instrumentos de acompanhamento, os Langa utilizam o Sindhi Sarang e os Manganiars o Kamaicha (ambos instrumentos de corda), bem como instrumentos de percussão.  

Durante o período da exposição, haverá vários eventos paralelos.

  • Visita ao espaço da Casa de Goa, guiada pelo Arquitecto Duarte Nuno Simões, autor do projecto, 8 de Outubro /15.00 h

rojecção do filme documentário A Dama de Chandor, de Catarina Mourã, seguida de um debate com a realizadora, 23 de Outubro, 18.30h.

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Conversas ao Balcão

 

21 de Outubro / 18.30 horas

Tema: Que futuro na cooperação entre a Universidade de Goa e as Universidades Portuguesas?

Palestrante: Profª. Drª. Graça Leão Fernandes, Professora do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG)

 

8 de Novembro / 17 horas

Sessão de homenagem ao Maestro António de Figueiredo

Comemora-se este ano o 100º aniversário do nascimento do Professor e Maestro António Figueiredo, figura conhecida e estimada por toda a comunidade goesa.

Primeiro maestro goês formado na Europa, nos conservatórios de Lisboa e Paris, foi professor de Canto Coral no Liceu Nacional Afonso de Albuquerque, onde organizou e dirigiu o Orfeão e a Tuna e fundou e dirigiu a Orquestra Sinfónica de Goa e a Academia de Música de Goa para o ensino da música clássica ocidental.

Deixou numerosas composições e arranjos musicais e alguns mandé.

No dia 4 de Novembro é o 22º aniversário da sua morte. Por ser um dia útil, propomo-nos realizar, nas instalações da Casa de Goa, uma sessão em sua homenagem no Sábado, dia 8 de Novembro, a partir das 17.00 horas

Pensamos que é da maior oportunidade a realização desta homenagem não só porque o Maestro Figueiredo é um símbolo da identidade goesa, mas também porque o seu percurso de vida e na música é um elemento congregador dos goeses em Goa e na diáspora.

Assim, gostaríamos de convidar as pessoas que o conheceram ou que, de alguma forma, estiveram ou estão ligadas à sua obra, a apresentarem, na sessão, um breve apontamento sobre os aspectos que desejam realçar na vida e na trajectória profissional do Maestro.  

Através de um dos seus filhos, Gabriel de Figueiredo, temos, em nosso poder, algumas das suas composições musicais. Seria uma homenagem condigna se as mesmas fossem interpretadas por um grande coro de goeses. Por isso, solicitamos que todas as pessoas interessadas em homenagear o Maestro por palavras e por música, manifestem esse interesse junto da Secretaria da Casa de Goa.


DIA DE GOA, DAMÃO E DIU COMEMORADO NOS PRÓXIMOS DIAS 18, 19 E 20 DE SETEMBRO

 

(Para conhecer o programa, consulte o panfleto anexo a este boletim)

 

O Dia de Goa, Damão e Diu será comemorado pelo terceiro ano consecutivo, em Lisboa. No dia 20 de Agosto de 1992 o Parlamento indiano reconheceu o Concani como língua oficial e de pleno direito incluindo-a no 8º anexo da Constituição da Índia. Esta data serve desde 1999 como motivo principal para a celebração do “World Goa Day” (Dia Mundial de Goa) um pouco por todo o mundo, em dezenas de países onde se encontra estabelecida a diáspora goesa. O dinamizador deste evento é coordenador geral do World Goa Day, Rene Barreto, estabelecido em Londres e que gere o site principal www.goaday.com.

Em Portugal este evento é comemorado desde 2001, por iniciativa do site Supergoa.com. Nesse ano, a 20 de Agosto, juntaram-se quase uma centena de pessoas para dar início a uma longa caminhada e realizar os objectivos propostos por Rene Barreto, nomeadamente uma maior união e solidariedade entre as comunidades goesas. Especificamente, desde 2002, e por deliberação unânime das associações que integram a Comissão Organizadora, adoptou-se o nome “Dia de Goa, Damão e Diu” para identificar os festejos deste evento em Portugal.

Depois do sucesso do ano passado, em que no pico de Agosto se reuniram durante as comemorações de três dias quase um milhar de participantes - incluindo um memorável espectáculo de danças e cantares de Goa, Damão e Diu no Teatro da Trindade - a Comissão Organizadora espera voltar a promover os três objectivos principais desta comemoração: reforçar os laços que nos unem como comunidade, apresentar a Portugal a rica identidade de Goa, Damão e Diu, bem como passar o testemunho e cativar o interesse dos mais jovens.

A Comissão Organizadora é composta por representantes de todas as associações indo-portuguesas em Portugal: Prof. Doutor Domingos Xavier Viegas (Associação Cultural de Amigos de Goa, Damão e Diu), Padre António Colimão (Associação Fraternidade Damão-Diu e Simpatizantes), Sr. Valentim Mascarenhas (Associação Recreativa e Cultural Indo-Portuguesa - ARCIP), Dr. Viterbo Rego (Casa de Goa), Doutor Filipe Monteiro (Suryá, Movimento Cultural e Ecológico de Goa), Constantino Hermanns Xavier (coordenador do World Goa Day em Portugal) e Eng. Hernâni Mourão (co-fundador das comemorações).

Contacto do Secretariado do Dia de Goa, Damão e Diu 2003:
 R. do Clube s/n, Rogel,
2665-412 Malveira,
Tel:         21 986 12 73,
Fax: 21 966 85 89,
TM: 91 866 60 88,
 E-mail: info@supergoa.com,
Website: www.supergoa.com