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  Dr. Teotonio

MARAVILHA


Portuguese Section

Escrevendo, ensinando e aprendendo em Lisboa


O Dr Teotónio R. de Souza é sem dúvida um dos mais importantes Historiadores Indo-Portugueses que Goa produziu nas últimas décadas. Até recentemente o cabeça do Centro Xavier da Investigação Histórica, o Dr. Souza, ex-Jesuíta e originário de Goa está agora estabelecido em Lisboa. À partida do Dr. Souza que é conhecido pelas análises que faz sobre o colonialismo português, vista como uma perda para a região. Mesmo na Europa ele foi activo e motivou a investigação em relação a Goa.

Extratos de uma entrevista com Frederick Noronha:

P: Talvez pudessemos começar com aquilo que o traz mais ocupado. Como é que se adaptou à sua mudançaa de Goa para Lisboa?

R: Bem, se o académico não está vivo e a progredir, então o projecto não pode ir bem. (Gargalhadas.) Ninguém pode saltar de um país para outro facilmente. Começar uma nova vida, pode consumir uma grande energia e a adaptação pode ser longa. Mas eu diria que tomou muito menos tempo do que eu pensei. Agradeço aos contactos profissionais, e ao suporte institucional. E também a minha vida conjugal suportou a adaptação. Foram-me necessários três anos para me integrar a minha nova vida.

P: Quais são as suas novas ocupações?

R: Estou com uma universidade privada de Humanidades e tecnologia. Paralelamente à administração de negócios, ciência e tecnologia dão-se outros cursos como economia, sociologia e antropologia. Eu ensino história da economia. Questões que tem a ver com a expansão portuguesa e a evolução da história da economia dos portugueses. Acrescentando a evolução do capitalismo e o seu impacto na sociedade. A universidade tem apenas cinco anos. Penso que com o tempo vamos ter estudantes com doutoramentos. Está muito bem situada, mesmo a frente da universidade de Lisboa e com a biblioteca e arquivos muito proximos.

P: Deve ter outros interesses?

R: Continuo a escrever. Presentemente, o principal projecto acabou de ser concluído. Dois volumes editados para "London University Portugal-600". Fundações portuguesas fundaram este projecto e acreditaram-no na universidade de Londres. Vão sair 12 Volumes com documentação nos descobrimentos portugueses, para estudantes de universidades inglesas. Dois volumes da Índia, vão ser editados por mim. Além disso continuo com os meus compromissos para com a História da Igreja no terceiro mundo. Um volume deve estar pronto em Junho do ano 2000, que será parte de um projecto de 12 volumes, desenvolvido por um grupo de historiadores da religião da América Latina. Também há a minha pequena contribuição para a cultura de Goa, dando cursos da língua e cultura Goense pelo período de nove meses na Fundação Oriente.

P: Mas, estando em Portugal, pode ser o mesmo critico que foi até agora, tendo em conta o seu ponto de vista sobre o colonialismo portugues?

R: E não só isso. Em Portugal há a tendência de se ouvir e cotar apenas algumas pessoas. Há apenas seis, sete ou oito indivíduos que tem algo a dizer, e que são ouvidos. E notados pelos orgãos de comunicação. Muito estranho. Como se não houvesse mais cérebros em Portugal. E no entanto há muitos portugueses que tem estado presentes fizeram um bom trabalho cheio de resultados e que nunca foram citados ou ouvidos.

P: Mas Lisboa deve oferecer-lhe muitas vantagens como historiador, tendo em conta que foi o coraçao do império...

R: Há mais contactos a fazer, assim sabe-se o que se passa à volta. E preciso tempo e paciência...

P: Alguns vêem a sua decisão de emigrar para Portugal com azedume.

R: O lugar que as pessoas escolhem para viver nao tem nenhum significado. Isso não traz nenhuma diferença. Posso ir para qualquer sítio, e a minha decisão... estar aonde eu quero estar.

P: A sua crítica a Portugal continua a ser forte como era?

R: Sim, apesar de tudo. Deviam ler o que eu escrevi depois da colonização. No volume de 1997 da investigação francesa do jornal Lusotopie, há um ensaio que trata do colonialismo português e Goa depois de 1961. Talvez as pessoas que dizem tais coisas não tenham lido os meus trabalhos recentes. Ou talvez nao tenham acesso a eles. Mas as análises continuam...

P: Como é que vê o clima intelectual em Goa? Pequeno e fraco?

R: Não há clima intelectual em Goa. Há muito poucos indivíduos que tentam fazer alguma coisa. Não têm audiência e praticamente são vozes isoladas. Algumas com potencial, mas acredito que nunca vão ter a oportunidade de ser ouvidas. Penso que o problema é funcionarem isolados. Não há qualquer intercomunicação, trabalho em rede. Mesmo para organizar um seminário (como aquele que se organizou pela Lusotopie em Fevreiro), o dinheiro teve que vir de fora. Aqui há dinheiro para muitas coisas ( mas não para actividades intelectuais). Porque não uma fundação (para promover investigação sobre Goa)?

Fgreenerick



gn Frederick Noronha

KIND COURTESY: Portugal A-Linha